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Panorama da cultura baiana em Elísio

Postado por Mary Weinstein

7/04/2016 10:46

Foto: Lúcio Távora/reprodução
Crédito: Foto: Lúcio Távora/reprodução.

A jornalista especializada em cultura do Caderno 2+ do Jornal A Tarde, Eduarda Uzêda, entrevista Elísio Lopes que hoje é dos maiores nomes do cenário artístico, com inserções que vão desde peças de teatro e vários outros eventos locais até programas de TV nacionais no Canal Futura, com Lázaro Ramos, e o Esquenta, da TV Globo, com Regina Casé. Somente lendo a entrevista reproduzida logo abaixo para entender a versatilidade e a capacidade de atuar tanto, de Elísio, para quem não tem “tempo ruim”. Com vocês, Eduarda Uzêda e Elísio Lopes, em entrevista publicada em A Tarde e transcrita aqui.

Dramaturgo, roteirista de cinema e TV, diretor artístico e produtor cultural, Elísio Lopes Jr., que também tem experiência como gestor cultural, não teme desafios.  Reconhecido pelo talento e versatilidade, o artista, 40 anos,  vem construindo uma carreira sólida, fruto de trabalho em várias frentes.

Nesta entrevista, por telefone, ele fala de vários projetos, como a gravação do DVD inédito de Ivete Sangalo em Trancoso (divide a direção artística com a cantora), a direção artística do Prêmio Braskem de Teatro no próximo dia 13 e, em primeira mão, de duas novas empreitadas: o projeto de inauguração da Concha Acústica do TCA e a direção de um documentário vivo, que marca lançamento de campanha contra intolerância religiosa, da Fundação Palmares, junto com o Coletivo Criativo N, equipe que acompanha o artista.

Elísio, além de dividir a direção artística do DVD inédito de Ivete Sangalo – as gravações acontecem amanhã e sábado,  em Trancoso – e a cerimônia do Prêmio Braskem  de Teatro, que será no próximo dia 13, soube que você, que dirige o Coletivo  Criativo N,  investe em outros importantes projetos….

É verdade.  Eu e o coletivo  estamos sendo responsáveis pela criação do projeto artístico da Concha Acústica do TCA. Vou lhe adiantar   que serão três dias de espetáculo,  de performance, de  dança e de música, que acontecerão de 13 a 15 de maio. Uma performance, inclusive, será com o Balé do TCA  (já foi  amplamente divulgado o show dos Novos Baianos, com Moraes Moreira, Pepeu Gomes, Baby do Brasil, Luis Galvão e Paulinho Boca de Cantor).  Assino a direção artística. Mas com o  coletivo também tem um projeto com a Fundação Palmares…

Fale então deste novo projeto. De que se trata?

Trata-se de um documentário vivo, que marca a campanha contra a intolerância religiosa da Fundação Palmares. Terá duas edições:  em Brasília, em junho, e no Rio de Janeiro, durante as Olimpíadas.  Este trabalho  terá interação  entre arte cênica e cinema.

Você está em Trancoso, onde Ivete Sangalo grava amanhã e sábado um DVD acústico inédito. Qual foi o seu maior desafio?

O maior desafio é captar sempre  a cabeça do artista. O segredo é entender o que   ele quer de fato e congregar  este desejo com cenário, figurino, iluminação, projeção. No caso de Ivete, é confortável porque  ela sabe o que quer experimentar,  é objetiva, clara e muito alto-astral. Também esta é a nossa quarta parceria (Elísio trabalhou com Ivete no Rock in Rio, no DVD Ivete 20 anos, no show da campanha do Martagão Gesteira  e, agora, neste DVD).

Quantas canções são, ao todo, neste DVD de Ivete?

São 22 canções, sendo sete inéditas, mas há releituras. É o primeiro acústico da carreira de Ivete e é muito diferenciado.  Neste DVD ela está mais próxima da banda, o palco é menor. O cenário será ocupado por uma megaestrutura de mapping  (tipo de cenografia projetiva). Chamo de acústico quente, pois não perdeu o balanço do axé e tem presente a black music.

A sua experiência  teatral  ajuda  muito, não é (como dramaturgo, Elísio já tem mais de 20 peças teatrais encenadas em todo o país e, como roteirista, já assinou a autoria de vários curtas-metragens e programas para a TV, sem falar na direção de espetáculos)?

O teatro entra o tempo todo em tudo. No DVD, estamos, por exemplo, construindo um cenário para a música.  Toda a cena teatral traz o  olhar de um dramaturgo e o DVD  tem estrutura de começo, meio e fim.  Ivete  é muito generosa…

Elísio,  o que você pode adiantar da cerimônia do Prêmio Braskem de Teatro?

Eu  dirigi a festa da cerimônia em  2012 e 2013  e, desta vez, fiquei pensando o que queria falar, o que teria a dizer. Nosso país esta em momento confuso. Vivemos uma revolução simbólica e quis falar de causas que fazem sentido ao mundo moderno e da importância da liberdade para o artista. Questões como racismo, homofobia, violência, desejo  e a intolerância serão relacionadas às categorias da premiação do Braskem.

Quem serão os homenageados  desta edição?

Serão reconhecidos pelos seus trabalhos e atuações Maria Rita Lopes Pontes, superintendente das Obras Sociais de Irmã Dulce (Osid); o médico Antonio Nery Filho, criador do Centro de Estudos e Terapia de Abuso de Drogas (Cetad); o antropólogo Luiz Mott, fundador do Grupo Gay da Bahia (GGB); Mãe Stella de Oxóssi, ialorixá do Terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, e Vavá Botelho, idealizador do Balé Folclórico da Bahia. Haverá, ainda, uma homenagem especial a Martim Gonçalves.

Você vem investido na tecnologia. Nesta cerimônia do Braskem a tecnologia estará muito presente?

Não, desta vez não estou investindo na tecnologia  não..  Quem for, vai ver um palco como um show de rock. O piso foi inclinado para a boca de cena e quase tudo acontece na frente do palco. Os atores Osvaldo Mil, Érico Brás e o cantor Pedro Pondé (da banda Scambo) serão vocalistas de uma banda fictícia. Adelena Rios, Ariane Souza e Camila Sarno atuarão como  backings vocais. O  musical  será  inspirado em bandas como Kiss, Secos & Molhados, Dzi Croquettes e Doces Bárbaros.  Luciano Ferrari, o Lord Lu, assina os figurinos da cerimônia, que serão destaques.

E o Elísio como roteirista? Tem novidades?

Estou com alguns projetos, a exemplo de duas séries para a televisão. A primeira seria sobre 7 Conto, do ator  Luis Miranda. Escrevo em conjunto com outros roteiristas. A outra seria sobre obra de Lázaro Ramos, A Menina Edith e a Velha Sentada. Neste projeto, escrevo com Lázaro Ramos e Tiago Gomes.

E o Elísio dramaturgo? Nem tem tempo, não é?

Estou organizando um livro que reúne monólogos autorais para testes de atores de teatro. Penso que até o final do ano fica pronto.

Não podemos deixar de falar do seu trabalho como diretor artístico e roteirista do espetáculo  de premiação do Troféu Dodô & Osmar, que homenageia os destaques da festa momesca em Salvador…

Dirigi em 2014, 2015 e este ano, mas há seis anos trabalhava no roteiro com direção de Fernando Guerreiro. Então, são nove anos nesta festa. E olhe que desta vez tive três semanas para organizar a cerimônia de premiação  (este ano o  espetáculo contou  com mais de 60 artistas em cena).

É impressionante tanta energia e dedicação,  o que se traduz, de modo geral,  em  espetáculos de qualidade. E ainda tem o Projeto Pérolas Mistas, evento que destaca canções dos blocos afro e clássicos da música negra do mundo, que você assina a direção.

Idealizado por Carlinhos Brown, com as participações da Orquestra de Câmara de Salvador, com o maestro Ângelo Rafael e cantores  que se afinam com a estética afro, este ano, diferente dos outros, não será realizado no Museu du Ritmo. Será em maio no  TCA, a pedido do público. Ilê Ayê, Muzenza, Gandhi e Cortejo Afro  participam  do projeto.

Você tem se voltado muito para a direção de shows. Quando pensa em voltar a dirigir um espetáculo de teatro?

Tenho um projeto de espetáculo musical infantil  com o cantor Saulo, mas  não é para agora.

Elísio, por fim, sei que você tem dirigido a Noite da Beleza Negra, que elege a nova rainha do bloco para desfilar com o Ilê no Carnaval. Como tem sido esta experiência?

Pela terceira vez participo. Fui convidado pelos diretores do bloco,  Arany Santana e Vovô. Acho que tenho contribuído para valorizar  o evento, com  mudanças. Umas das coisas que fiz foi gravar antes com as candidatas e exibir elas na tela,  enquanto elas desfilavam.

http://atarde.uol.com.br/cultura/noticias/1760237-elisio-lopes-jr-vivemos-hoje-uma-revolucao-simbolica-premium